Índice é maior do que o registrado no trimestre encerrado em dezembro, quando a taxa foi de 11,8% e ficou estável sobre 3 meses anteriores; IBGE diz que taxa só não caiu por razões sazonais
Mayara Martins não conseguiu pagar o último trimestre da faculdade (Foto: Arquivo pessoal)
Mayara Martins, de 30 anos, está desempregada há 1 ano e 7 meses e desistiu de procurar emprego. A última entrevista que ela fez foi há pouco mais de 6 meses. “Está cada vez mais difícil. Na área em que tenho experiência a cada dia que passa vejo mais pessoas desempregadas”, lamenta.
Mayara era recepcionista em um laboratório de análises clínicas. Mas procurou vagas para várias funções, desde atendente de telemarketing até monitora de parque. “A última entrevista que fiz fiquei das 11h até as 17h esperando para ser atendida. Depois disso desencanei completamente de tudo”, conta.
Mayara mora com os pais e conta com a ajuda deles para sobreviver. Como está sem trabalhar, não conseguiu pagar o último semestre da faculdade de gestão ambiental. Agora ela prevê que só irá pegar o diploma no segundo semestre do ano que vem. Ela pretende tentar vaga na área que escolheu estudar depois de se formar. “O futuro pode parecer um pouco tenebroso, mas ainda tenho esperanças de voltar a trabalhar”, diz.
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Desemprego 'mascarado'
Mayara é uma de
6,2 milhões de pessoas que estão desocupadas no Brasil, mas que não estão procurando emprego. Ou seja, ela tem potencial para trabalhar, mas não trabalha, não estuda e não procurou emprego nos últimos 30 dias. Esse grupo é classificado pelo IBGE como "desalentado" e não é contabilizado na estatísticas do desempregados. O IBGE divulgou nesta quinta-feira (13) pela primeira vez dados da população fora da força de trabalho.
De acordo com o
IBGE, aumentou o contingente de brasileiros que não trabalham nem procuram ocupação e, portanto, não entram nas estatísticas oficiais do desemprego. Isso contribuiu para uma queda na população economicamente ativa de 2,2% no trimestre encerrado em agosto, na comparação com o mesmo período de 2015.
Se essas pessoas não tivessem desistido de procurar emprego,
a taxa de desemprego, atualmente em 11,8%, poderia ser ainda maior, avaliam economistas.
Nem olho mais os anúncios de vagas"
Dayane Alves
Segundo Rafael Bacciotti, consultor de macroeconomia e política da Tendências, o movimento de pessoas que desistiram de procurar emprego limita de fato a expansão da taxa de desemprego. Ele explica que, pela metodologia da PNAD Contínua do IBGE, que mostra a evolução do desemprego trimestralmente no país, a pessoa deixa de compor a força de trabalho quando não é absorvida depois de 30 dias procurando emprego. “A busca efetiva por até 30 dias faz com que a pessoa faça parte da força de trabalho como desocupado”, explica.
De acordo com Bruno Ottoni, pesquisador do Ibre/FGV, o aumento da população inativa pode resultar do desemprego prolongado. "Durante a atual crise, trabalhadores tentaram entrar no mercado, mas estão desistindo e voltando para a inatividade", diz.
Desânimo
O G1 ouviu pessoas que desistiram de procurar emprego. Os motivos alegados são o desânimo com a escassez de vagas, a grande concorrência e o cenário que não mostra sinais de melhora. Esses brasileiros não têm renda e vivem com ajuda de familiares, com sua poupança ou da rescisão do contrato de trabalho.
A recepcionista Dayane Alves, de 22 anos, foi demitida há um ano, mas há três meses não procura emprego. "Nem olho mais os anúncios de vagas", disse. Antes de desistir, ela fez oito entrevistas de emprego, sem sucesso. “Desanimei. Ia nas entrevistas e não era chamada. E agora parou de ter vaga na minha área. Nem para auxiliar administrativo que eu também tenho experiência tem aparecido”, diz.
Dayane tem dois filhos, de 1 e 3 anos, e vive com os pais dela. O pai é padeiro e sustenta a casa.“Tenho planos de voltar a procurar, mas não sei quando."

Isaias Santos diz que vai esperar passar o final do ano para voltar a procurar emprego na sua área (Foto: Arquivo pessoal)
'Tenho fé'
O contabilista Isaias Amaral Santos, de 37 anos, está desempregado há 4 meses e há mais de um mês não procura emprego. “Faço entrevista, falam que vão chamar e nada. Ou cancelam alegando que a vaga foi fechada”, lamenta.
Santos diz que vai esperar passar o final do ano para voltar a procurar emprego na sua área. E cogita tentar vagas temporárias de final de ano como vendedor.
“Eu tenho uma filha de 7 anos, não posso me dar ao luxo de ficar sem renda”, diz. Santos não é casado, mas a mãe da sua filha está ajudando com as despesas dela.
O contabilista está morando com a mãe e sobrevive com uma reserva financeira, dinheiro do FGTS e ajuda da família. Ele não teve direito a seguro-desemprego porque em seu último trabalho ficou apenas 6 meses – o mínimo necessário é de 1 ano para ter o benefício.
“Eu tenho fé que vou conseguir emprego no ano que vem, apesar de achar que a situação do país vai demorar pra melhorar”, afirma.
Fonte: IBGE
O índice de desemprego calculado pelo IBGE é uma média móvel trimestral, divulgada mensalmente. Isso significa que o resultado de janeiro se refere ao período entre novembro de 2017 e janeiro de 2018
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Efeito sazonal
Para o IBGE, o índice de desemprego só não continuou em queda no trimestre encerrado em janeiro por motivos sazonais. Janeiro é um mês em que muitos trabalhadores temporários são dispensados e tradicionalmente há um aumento do desemprego.
“A gente teve duas quedas seguidas na taxa de desocupação (em relação ao trimestre anterior). Isso significa que houve uma melhora no mercado de trabalho. Mas, quando chega em janeiro deste ano, você tem uma estabilidade. Se não fosse o período sazonal, a expectativa era de que a taxa tivesse caído pela terceira vez”, disse o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.
“Janeiro é um mês em que tem dispensa de trabalhadores, mas não aconteceu. Então, pode ter havido dispensa e ao mesmo tempo novas contratações”
"Se não fosse a sazonalidade, teria ocorrido outra queda (no índice de
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